Maternidade de Júlio Dinis

Maternidade de Júlio Dinis

A iniciativa de criação desta maternidade pública no Porto surgiu em 1925, aquando da comemoração do primeiro centenário da Régia Escola de Cirurgia, com a inauguração do monumento a um dos mais populares médicos da Escola, pela via literária, o Dr. Joaquim Guilherme Gomes Coelho, conhecido sob o pseudónimo artístico de Júlio Dinis.

Numa cidade de alta taxa de mortalidade infantil, com 25% de crianças que no primeiro ano de vida morriam, só explicável pela falta de assistência à mulher grávida e à criança, tornava-se realmente indispensável uma instituição dedicada à proteção maternal e infantil. O impulsionador da ideia foi o Professor Alfredo Magalhães, que a ela associou o nome do romancista como patrono, sugestão acolhida com entusiasmo pelas distintas senhoras portuenses que se empenharam em campanhas de angariação de fundos, promovendo iniciativas culturais e recreativas.

Em 1926 é atribuído o primeiro subsídio do Estado, no valor de mil contos para a aquisição do terreno e construção do edifício. Principiou a sua construção em 1928 com projeto do ilustre arquiteto suíço George Epitaux, tendo sido inaugurada como instituição oficial a 30 de setembro de 1938 pelo Decreto-Lei nº 29030.

Construção ampla e de linhas sóbrias, de acordo com as mais modernas exigências de higiene e conforto da época, convenientemente apetrechada e com uma capacidade de acolhimento inicial representada por 110 camas, competia-lhe especialmente a hospitalização obstétrica, ginecológica e dos recém-nascidos, consultas de obstetrícia e de ginecologia e a assistência obstétrica domiciliária.

Funcionava ainda junto da Maternidade de Júlio Dinis (MJD) um dispensário com enfermeiras especializadas que tinham a seu cargo igualmente o serviço social, exercendo também funções de visitadoras.

O primeiro parto na MJD teve lugar a 19 de julho de 1939, dia em que a parturiente D. Olívia da Graça Dores, de 28 anos, inscrita no dispensário com o nº 71, deu à luz uma criança do sexo feminino de nome Maria da Conceição Dores Neiva, assistida pelo Doutor Gonçalves de Azevedo e pela enfermeira parteira Maria Ferreira.

Com uma vasta área de influência, a MJD desenvolveu a sua atividade prestando cuidados especializados nas áreas de Obstetrícia, Pediatria e Ginecologia em estreita colaboração com outras entidades tanto no plano clínico como social e científico, bem como em plena articulação com a comunidade.

A própria componente formativa, de médicos e enfermeiros especialistas, acompanhou a sua história, sempre com grande expressão e prestígio.

Sofreu diversas obras de beneficiação e ampliação, reordenamento de áreas, como a sua desvinculação do Instituto Maternal em 1967; saída da Faculdade de Medicina do Porto em 1959 e em 1968 da Escola de Enfermagem; mudanças estruturais internas e reformas a nível nacional.

Ao nível assistencial de destacar que as suas consultas externas formam realizadas num dispensário do Instituto Maternal até 1972, data em que passaram para um edifício construído no jardim da MJD; a média dos nascimentos atingiu os 6000 partos por ano na década de 80 e, na década de 90 o internamento ultrapassou os 10 mil utentes por ano para uma lotação de mais de 250 camas distribuídas pelos serviços de Obstetrícia, Ginecologia, Neonatologia e Cuidados Especiais e Intensivos.

A 1 de outubro de 2007 foi integrada no Centro Hospitalar do Porto.

Em 2011 foi lançado novo impulso à assistência clínica e à ino­vação com a construção do Centro Materno-Infantil do Norte Dr. Albino Aroso (CMIN), inaugurado em maio de 2014 e com conclusão da última fase em abril de 2016. Em simultâneo foi realizada a obra de recuperação da Maternidade de Júlio Di­nis que assim completou o CMIN. A concentração da assistên­cia clínica, aliada à acessibilidade ao edifício, representou um avanço nos cuidados de saúde prestados à mãe e à criança.